segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Everyday Feels Like A Monday.

05:30. Acordo com minha mãe gritando, como sempre. Segunda-feira, eca. Tenho exatos 30 minutos pra me arrumar para a escola. Mas minha cama me parece milhares de vezes mais aconchegante do que de noite. Com dificuldade e um bom-humor inexistente, me levanto da cama e me arrasto até a cozinha. Como qualquer coisa que meu pai pôs na minha frente. Minha mãe fala alguma coisa comigo, eu respondo com um gesto qualquer.
Me arrasto, desta vez, para o banheiro. Só dar um jeito na minha cara. Nem quero olhar no espelho, com medo. Escovar os dentes, pentear o cabelo, maquiagem. Terminando a tentativa fail de disfarçar meu ódio pelo início da semana, ouço os ataques nervosos de minha mãe, sobre como eu não respeito os horários e etc. Legal, eu não tenho um relógio no banheiro, como posso saber?
Passo correndo pelo corredor, me escondendo dos focos de luz. Tento não pensar em como eu acordo cedo, e mesmo assim chego atrasada na escola. Enfio meu bom e velho All Star de sempre no pé, e deixo pra amarrar o cadarço no elevador. Não deu tempo de passar lápis, ou seja: começo a semana com cara de doente. Que bom.
Chego no 3º Subsolo, agradecendo a Deus por ouvir o ronco irritante e nojento da nossa perua irritante e nojenta. Desço a rampa de entrada correndo. Entro e não te vejo. Eu já esperava, mas no momento só gostaria de deitar na minha mochila e dormir pra sempre. O que é meio impossível, quando você se sente como um saco de batata chacoalhando atrás de um caminhão velho. Sento no meu lugar de sempre e imediatamente coloco o fone de ouvido. Graças a Deus, a bateria ta com a carga total. Coloco no volume máximo. Não ligo pros meus tímpanos. Não agora.
Fico praticamente cronometrando o tempo que a perua demora pra chegar em cada casa. Estamos 5 minutos atrasados. Sim, isso vai fazer diferença quando estivermos parados no trânsito na avenida da escola. De repente dormir me pareceu uma opção muito mais tentadora. Agradeço por não ter crianças aqui de manhã. Nem gente conversando. Agradeço por todo mundo ser tímido/zumbi e não falar com ninguém.
Sinto falta da sua presença. E pensar que nesse instante você deve estar a pelo menos 600 km de distância. Sinto falta de olhar pra você. Só isso. Só... sentir você ali. Começa a tocar a sua música. Aposto que você nem sabe que tem uma música, certo? Instintivamente, te procuro com o olhar. Você não está aqui, já era pra eu ter me acostumado. Deito a cabeça na mochila e fecho os olhos.
"Acordo" quando estamos no meio do trânsito. Mas que hora boa. Pego o celular pra mudar de música e me deparo com o relógio. Droga, eu tava tentando evitá-lo. 06:59. Tento não entrar em pânico. Impossível. Eu ia chegar na sala, e simplesmente não teria lugar. Apenas isso.
Saio correndo da perua, driblando os outros alunos. O sinal das 07:00 toca. Subo as escadas correndo, e chego a tempo de pegar um único lugar na última carteira da fila. Meus amigos ainda tentam me dar um Bom Dia amigável, e perguntar porque eu estou com ESSA cara. Tenho vontade de gritar um monte de coisas, mas só respondo com um "sei lá" qualquer. O professor de Física entra na sala. Acho que não vou nem tirar os fones. Hoje o dia vai ser longo.


texto origalmente pensado no caminho para a escola, escrito em uma aula qualquer, e postado aqui :)

xx @upperiscope

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