quinta-feira, 2 de setembro de 2010

The Ghost Of You.

"Ele a observava silenciosamente. Via enquanto ela sentava na janela. Não podia fazer nada, seus pés estavam colados no chão. Não conseguia emitir nenhum som. Ela olhou para baixo e deixou um pé de seu sapato cair. Olhou para ele e sussurrou um 'eu te amo'. Fechou os olhos, e escorregou para frente.
Ele acordou com o alarme agudo do despertador. Permaneceu deitado, olhando para o teto, por pelo menos quarenta minutos. Era a quarta vez na semana que tinha esse sonho, e logo que acordava se lembrava que não era apenas um sonho.
Levantou-se e foi em direção a cozinha. A casa estava vazia. Ele já devia ter se acostumado. Sentou-se sozinho na mesa e olhou em volta. Sentiu falta do cheiro familiar de panquecas e omelete. Não achava que o sentiria tão cedo.
Começou a pensar em como em menos de uma semana, tudo perdera o sentido. A sua vida, num sentido geral. Não comia, dormia mal, largou o emprego. O telefone tocava persistentemente. Ele não atendia. Não saía de casa. Se perguntava qual era o motivo de comer, de dormir, de respirar, de viver mais um dia... Não era um pensamento depressivo ou suicida. Acontece que ele não conseguia se acostumar com a ideia da solidão. Era tão jovem, e precisava continuar, mas não sem ela. Não sem a razão da sua existência nos últimos quatro anos. Agora a mantinha viva nos pensamentos. Era o mais próximo que ele chegava para convencer-se de que ela ainda estava ali.
Já não aguentava nem mais um dia. Havia prometido à ela que seguiria em frente, mas a dor se tornara insuportável desde que ela se fora.
Levantou-se da cadeira, e a arrastou até o quarto. Colocou a cadeira no meio do quarto, em baixo do ventilador de teto. Correu até o armário e colocou a sua melhor gravata. Voltou ao quarto, subiu na cadeira, prendeu a ponta da gravata na hélice do ventilador, e apertou o nó.
Demorou dois segundos para ele tomar a decisão final. Apoiou o pé direito no encosto da cadeira. Hesitou, por um momento. Então chutou a cadeira para a trás. Por um instante, pode ouví-la chamar. Depois veio a escuridão.''

feito das 9:13 às 13:52, durante as aulas dessa longa quinta-feira.

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